
Começo esse post com uma indagação: o que nos é lícito fazer para levarmos uma vida prazerosa e feliz, aproveitando cada minuto dos nossos dias? Diversas respostas surgirão, a partir de diferentes óticas filosóficas e morais. É difícil chegar num consenso. Até porque, como já disse num post anterior, "certo" e "errado" são conceitos relativos. Então, como pensar o direcionamento de nossas ações e atitudes diante da questão supracitada? É um ponto que tem me incomodado bastante nos últimos dias.
Vivemos em tempos de oposições e conflitos, o que dificulta uma tomada de posição. Fomos (e ainda somos) condenados à culpa do pecado original e , às vezes, pensamos em levar uma vida resignada diante das dificuldades e sofrimentos. Estamos aqui para reparar nossos erros e pecados. O prazer não nos é digno. De outro lado, chegamos numa época em que as possibilidades de prazer são inúmeras e facilitadas, nos convidando, incessantemente, ao seu usufruto infindável. Aí, nos tornamos verdadeiros apóstolos dionisíacos.
Há quem deseje se libertar da corrente do pecado original (e eu me incluo nessa lista). Mas quando a questão é "viver a vida bem-vivida" é difícil não se deixar seduzir pelo culto ao hedonismo exacerbado. Não me rendo a falsos moralismos ou a qualquer tipo de puritanismo (quem me conhece, sabe muito bem). Mas também acho que nesses caminhos diários rumo à finitude em que consiste a vida, alguma coisa deve nos guiar, algum fio-condutor. Um propósito. E aí, já não cabe qualquer coisa. Já não estamos numa arena de vale-tudo.
Claro que as pessoas têm gostos e opiniões diferentes quantos aos meios de se obter prazer. Porém, dependendo do fio que conduza a sua vida, alguns preceitos deverão ser preservados. Não falo dos que pretendem fazer da vida um palco de diversão em busca de um prazer inconsequente. Sobre isso, nem perco meu tempo. Falo dos que pretendem sim aproveitar a vida, ter alegria e satisfação, desde que com ética e coerência. Nesse caso, não dá pra entrar numa de "prazer a 100 por hora". Há que selecionar, escolher melhor. Ponderar. Senão, certas coisas em nossas vidas simplesmente perderão o sentido...
A vida é curta e nós queremos ser felizes. Mas o que, realmente, nos trará felicidade? Em quais pilares nós desejamos sustentar a nossa bem-aventurança? Que frutos nossa consciência irá colher? Faz-se necessário refletir sobre o que fazemos diante de nossa própria consciência. E, então, cuidar para que não se profane o que é sagrado. O sagrado de nossa relação com o mundo, com o outro. O sagrado em nós.
Finalizo esse post com um pensamento que pode não responder a indagação com a qual eu o iniciei, mas que pode nos ajudar a refletir sobre a nossa vida e, principalmente, sobre o que fazemos dela:
"Se na estrada da vida não sabemos para onde vamos, então, qualquer lugar serve".
Espero que possamos saber, exatamente, onde queremos chegar.